ELEOTÉRIO, O BÁRBARO ADUANEIRO

fevereiro 19, 2009

E Eleotério pulou no mar de notas fiscais obstinado a descobrir qual seria o desfecho da dramática situação que impedia que sua vida voltasse ao que era antes. Tudo o que Eleotério conseguia vestir eram roupas feitas de papel de jornal e coladas com fita durex.

Sua estranha doença havia sido um reboliço na comunidade médica. Todos acreditavam tratar-se de algo da ordem das engrenagens pélvicas medianas ou mesmo de sua lubrificação. Porém nada nos exames extensivos feitos no pobre garoto pareciam confirmar tal teoria.

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Cinqüenta anos atrás, Eleotério havia se inscrito em uma aula de dança de salão pois achava que seu rebolado não era requebrado o bastante, porém o endereço que o deram da escola na verdade o levou para uma arena sangrenta aonde advogados tributaristas se degladeavam até a morte com cachorros-quentes de ferro.

O garoto que apenas queria aprender a remexer o esqueleto acabou tendo que aprender, de forma dolorosa, a destroçá-lo com impactos fulminantes de seu sanduíche marcial. Os anos o tornaram um homem rústico e bruto. Eleotério não mais sonhava com o amor de uma mulher, mas sim com sua própria sobrevivência.

Com o tempo, ele se tornou o campeão absoluto, tornando a luta com grandes hot-dogs metálicos, o esporte nacional de todo o planeta. Advogados do mundo inteiro tinham calafrios de imaginar-se na arena com Eleotério, e todos sonhavam em derrotá-lo embora com o tempo aprenderam a conformar-se com o segundo lugar nos campeonatos.

Eleotério também aprendeu a forjar suas próprias armas, até que um dia teve a idéia de substituir o tradicional hot-dog de ferro por um suflé de brócolis com espinafre feito de aço. A idéia foi inusitada e seu resultado, aterrador. Na primeira luta, Eleotério partiu o impiedoso Juiz do tribunal de pequenas causas de Israelândia em dois com apenas um golpe.

Senhoras de todo o mundo, bestificadas com a violência do esporte organizaram manifestações contra tal prática, porém sua popularidade fez com que seu clamor fosse simplesmente ignorado.

Não contentes com a situação, resolveram então apelar para a feitiçaria. Duas mil e quatrocentas vacas leiteiras e um guaxinim foram sacrificados em um ritual de magia negra para que uma horrível maldição caísse sobre o grande campeão mundial.

Dito e feito, na tarde de 30 de setembro de dois mil e oito, Eleotério se viu incapaz de vestir suas roupas e calçar seus sapatos. Por mais que tentasse, um pensamento intrusivo o levava a cortar jornais em forma de roupas e antes mesmo que pudesse entender o que fazia, já estava vestido com trajes feitos apenas com as edições do dia do caderno de esportes do diário da manhã.

O rapaz entrou em pânico, não tinha coragem de se deixar ser visto em tais condições. O que diriam as pessoas de tais estranhos hábitos? Humilhação pública? Não, uma infância inteira usando um colete ortopédico com luzes de natal e um sino pendurado era toda a humilhação que Eleotério poderia agüentar.

Ele tentou a medicina, mas a ciência convencional parecia completamente ineficaz com relação à sua estranha condição. Nem mesmo os maiores terapeutas ocupacionais com pós-doutorado em musicoterapia da respiração pareciam saber qual seriam os princípios de tal morbidez oculta. Foi então que um dia, ao ir ao supermercado, Eleotério deparou-se com um grande sábio que vivia na sessão de dietéticos.

O sábio era dotado de grandes conhecimentos do oculto. Ele contou ao nosso herói que a cura para tal maldição era um caminho árduo. Havia uma flor que nascia em uma longíqua ilha no mar de notas fiscais cujo suco bebido em um copo de papel feito das palavras cruzadas do jornal de domingo era o único remédio.

Eleotério preparou seis sanduíches de pepino para cada dia, calculando que sua jornada completa demoraria dez dias, o que totalizou sessenta sanduíches. Ele os colocou em uma sacola feita com material reciclado e destemidamente, saltou no mar de notas fiscais para travar uma batalha contra seu próprio destino.

Porém ao pular, bateu a cabeça em uma pedra de basalto e veio à óbito.

Eleotério Absorto dos Prazeres
1980-2008

fim.


PEDOFILIA É CRIME PRO MEU BEM

fevereiro 19, 2009

O fato de manter relações sexuais com uma criança é algo que, sob os moldes do capitalismo ruralista de outro planeta, seria perfeitamente anacrônico uma vez que manter um nexo temporal na história é um ato muito simples, levando em conta que sejamos todos humanos e moremos nesta dimensão. Já os sujeitos de tal análise em questão não contam com tais benefícios, mas sim com grandes máquinas motorizadas capazes de esticar monastérios inteiros com o simples verter de suas vontades.

Houve quem questionasse que máquinas não manifestam vontade de qualquer tipo, porém o anacronismo todo aqui enfocado seria ainda mais austero se não fosse construído sobre a solidez gelatinosa da mulher que mora ao lado, e eu lhes asseguro, ela de fato mora ao lado!

Então naqueles momentos quando for indagado se tudo o que dissemos e tudo o que vivemos foi, de fato, verdade e não um construto de nossas imaginações, sabemos sempre poder contar com Harry, o timoneiro e sua colossal lista telefônica.


PERJÚRIO!

fevereiro 19, 2009

Perjúrio foi o que pensaram ao avistar tamanho amontoado de bobagens que nem eu, nem você e nem todos os naturalistas da comunidade científica poderiam aprovar como adequado para o mais fúnebre mercador de salsichas da região dos grandes lagos. O que eu vi foi simplesmente refrescante. Do tipo de refresco que seis oitavos harmônicos de velhas gordas vestidas com cores inadequadas não poderiam desatarrachar sem vociferar horríveis palavrões inesperados como única forma tresloucada de reagir a tal absurdo.

Antes mesmo de pousar sobre a maioria branca que habitou o deserto de jujubas, o anteparo súbito fez o que sempre fez sem criar ou frustrar antigas expectativas: tornou a beber alguns goles de si mesmo com o gelo de suas desapropriações inseguras e meia dúzia de guardas armados até os dentes portando cartolas tecnológicas capazes de contabilizar tudo o que existe em todas as casas decimais.

E em falar em tecnologia, não diminuindo as tribulações aqui expressas, a geringonça mais espetacularmente majestosa não poderia ter tão boa pontaria quanto a verdade expressa sem delongas sobre o que o seu primo falou frente a toda a população negra da antártida e consumir goma de mascar ao mesmo tempo.

E assim temos que tudo o que começa, tem que descer, ainda que até as profundezas do inferno da moda!


DAQUI PRA LÁ

fevereiro 19, 2009

Muita gente pergunta o porquê de se escrever textos que não fazem sentido algum em vez de dedicar minha vida a ajudar os desafortunados.

A resposta é muito simples:

dois raíz de sete sobre três.

A quase puerilidade com a qual contamos para perceber tal fato é a mesma que o seu primo usou para conquistar as paisagens da Córsega sem usar mãos, pés, pseudópodes ou qualquer meio de sodomização gentil que pudesse ser sugerido por uma futura freira de aspirações módicas e que nunca houvera surfado as gélidas montanhas de um lugar gélido, longínqüo e dotado de uma capacidade inata de catalogar espécimes de protistas mal-vistos por seus colegas, também atônitos em um momento como o citado três páginas antes.

É por isso, caros amigos, e por nenhuma outra razão que eu quero que as crianças africanas esperem a próxima oportunidade.