NICOLAU E SUA GRANDE BOCA

Nicolau, sentindo que sua morte estava próxima, decidiu cavar seu próprio túmulo. Ele escolheu um local bem bonito e florido e começou a cavar. Após alguns minutos, sua pá bateu em algo de consistência estranha, não pareciam terra, e pedra tampouco. Ele retirou um pouco mais de terra e percebeu que era sua prima Edileuza.

cavando

A garota segurava um pacote de chicletes por atacado e repetia a frase “eu preciso ver a sua documentação” continuamente.

O rapaz deu um tapa na moça para que ela recobrasse a consciência. Edileuza olhou para ele e lhe deu um forte abraço fraternal.

“primo!” Disse a garota. Ela explicou que estava procurando uma de suas saias favoritas e se o rapaz não a tinha visto por aí.

Nicolau de repente percebeu que estava vestindo a tal saia mas que também não vestia nada por baixo. Ele achou bastante estranho. Não tinha o hábito de transvestir-se e nem se lembrava de ter trocado de roupa nos últimos dois meses.

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Foi então que resolveu entregá-la a  Edileuza, cobrindo logo em seguida as suas vergonhas com as mãos.

Como em um passe de mágica, Edileuza transformou-se em um gênio, não o tipo que formula soluções matemáticas para os fenômenos da natureza, mas sim uma daquelas criaturas mitológicas que concede desejos.

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“você optou por devolver algo que não o pertencia, mesmo que para isso, precisasse se submeter à humilhação de se estar nú em público. Em virtude de tamanha demonstração de nobreza e honestidade, hei de lhe conceder três desejos”

Nicolau, estupefato com tamanha originalidade da interface entre seres humanos e gênios, mandou parabenizar o departamento de marketing que criara tal mística criatura. Fato este que, para seu pesar, foi confundido com o primeiro desejo.

Os colaboradores do departamento de marketing da Genius Inc. jamais se sentiram tão agradecidos.

Nicolau, no entanto, ao sentir-se ludibriado por tal situação, exigiu falar com o gerente. E foi quando o segundo de seus desejos foi indevidamente gasto.

O rapaz que era extremamente calmo, já estava tendo um colapso nervoso com a sensação de ter sido logrado não apenas uma vez, mas duas.

Nicolau temeu que tal breve incidente pudesse vir a se tornar uma piada de internet, circulando por décadas através de mensagens de e-mail de funcionários entediados de diferentes empresas. Tamanho foi o desagrado que tal pensamento lhe trouxe à mente que ele resolveu que nada diria ao gênio até que tivesse mentalmente pensado no melhor pedido possível.

O gênio criou magicamente uma cadeira e nela se sentou.

Tal simples ato deixou-lhe claro que nada no mundo o deixaria mais contente que ser dotado da capacidade de criar cadeiras com a força do pensamento. Nicolau elaborou o pedido e fora satisfatoriamente atendido.

O rapaz se transformou, não só em um dos maiores produtores de cadeiras do leste europeu como também tornou-se renomado por manter a indústria de cadeiras com o menor número de funcionários que se tinha notícia.

Há rumores que até hoje o fantasma de Nicolau assombra os corredores do lúgubre complexo industrial. Apesar do próprio empresário permanecer vivo e atuante no mercado.

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